Você conhece o bar Dometila, em Porto Alegre? Recomendo. Faz pouco que o inseri entre meus locais preferidos de frequentar. Embora já tenha quatro anos de existência, e estar incrustado no coração do bairro onde resido, somente no mês passado tive o prazer de conhecê-lo.
O lugar é único: pelo ambiente e pelo dono. Recostado sobre uma das arestas viárias da charmosa Praça Maurício Cardoso, o Dometila bem poderia estar em Paris, Londres ou mesmo Amsterdã, tal o astral e decoração que o compõem. Descolado e bucólico, o lugar é perfeito para um happy–hour, especialmente se o fim de tarde brindar Porto Alegre com um pôr-do-sol característico, temperado com uma leve brisa soprada por árvores centenárias que adornam a praça em frente. Ah, e o preço é bem adequado, menor do que a grande maioria dos bares com o seu perfil.
Porém, o Dometila fica ainda mais Dometila quando você percebe a presença do seu dono. Impossível não perceber. Mal você escolhe uma mesa e menciona a intenção de ali permanecer, e pronto! Uma chuva literal de pétalas de rosa derrama a simpatia, a cortesia e a amabilidade do dono sobre você. Um gesto tão carinhoso como inaudito, onde mais do que expressar boas-vindas, revela o lado afetuoso, irreverente e divertido do Claiton, o dono do Dometila.
Dias desses estava lá, de novo. Fui com a Mirela, minha esposa, e a minha sogra. É verdade,! O lugar é tão agradável que até a sogra a gente faz questão de levar (risos). Lá, entre generosas mordidas dadas no saboroso e caseiro sanduíche de carne de panela, permeadas por goles de cerveja artesanal servidas em temperatura próxima a zero, observava atento a rotina do Claiton no atendimento aos seus clientes.
Na verdade, era mais do que atendimento, chegava a ser um “cortejamento”. Atencioso, empático e criativo, ele transitava entre as mesas sem economizar sorrisos ou gestos gentis. Solícito e disponível, o dono Claiton, invariavelmente, permutava funções com o garçom, com a cozinheira, tudo dentro de uma harmonia operacional, onde todos se esmeravam em gerar valor ao cliente.
Saí do Dometila, algumas horas depois, com a percepção plena de ver naquele local a realidade inconteste de uma empresa realmente voltada para o mercado. Uma estrutura integrada, onde os seus elementos constituintes – dono, atendentes, garçons e cozinheiros, independente das suas atribuições originais, trabalham para um único objetivo: encantar o seu cliente.
O exemplo extraído do Dometila, um pequeno bar entre tantos que habitam em Porto Alegre, pode ser adaptado a qualquer empresa, seja ela grande, média ou pequena. O conceito é simples: somos todos vendedores do nosso produto, da nossa imagem, do nosso trabalho. A lição, mais simples ainda: em um mundo cada vez mais igual e competitivo, vencerão as empresas que encantarem mais os seus clientes.
E para isso, muito além de produtos e preços, faz-se fundamental uma organização sem fronteiras, integrada e proativa, onde todos trabalhem com a visão clara de que o amanhã somente existirá se ainda tivermos clientes para atendê-los em suas necessidades, despertar os seus desejos e, sobretudo, superar as suas expectativas.
Carlos Alberto Carvalho Filho


